Nova Plataforma de Cobranças e o fim do boleto sem registro

Recentemente, a  Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) anunciou o projeto da Nova Plataforma de Cobranças, que traz o fim do boleto sem registro e sua substituição pelo boleto registrado. O tema tem sido pauta de discussão entre empresários e instituições de pagamentos em todo o Brasil. Principalmente entre aqueles que apostam na venda online, plataforma que tem o boleto bancário como segundo principal meio de pagamento.

Ao que tudo indica, o principal objetivo do projeto anunciado pela entidade é trazer mais segurança e transparência para o mercado de pagamentos. No entanto, grande parte dos comerciantes têm preocupação com os desafios que podem surgir em torno de seu capital de giro, pois a medida pode trazer aumento no custo de seus mercados.

Em pesquisa realizada pela E-commerce Brasil, em parceria com a SEBRAE, foi revelado que 75% dos consumidores optam pelo boleto bancário devido às baixas taxas do método. Por isso, por meio de redes sociais, os mesmos criticam a nova medida.

“Quem vai pagar o pato é o consumidor final”, opinou um dos clientes. Conforme o consumidor, a medida representa aumento no valor dos produtos, já que há a possibilidade do vendedor incluir o custo das taxas do boleto registrado.

Confira a seguir os pontos que lojistas e clientes precisam saber sobre a Nova Plataforma de Cobranças e acabe – de vez – com as suas dúvidas sobre as novas regras.

Entenda o que é boleto sem registro e boleto registrado

Apesar de menos seguro, o boleto sem registro representava 40% do total de boletos emitidos diariamente no Brasil em 2016 por ser mais simples.

  • Não exige pagamento exclusivo em determinado banco;
  • Não há necessidade de registro no sistema do banco;
  • Não é obrigatório detalhar a data de vencimento ou a pessoa que fará o pagamento.

No entanto, até dezembro de 2017 este método será extinto e substituído pelo boleto registrado. Garantindo maior segurança, ao emitir um boleto registrado, é gerado um arquivo digital que é encaminhado para o banco no qual o pagamento deverá ser realizado. O arquivo deve oferecer informações do devedor como:

  • CPF ou CNPJ;
  • Endereço;
  • Valor da cobrança;
  • Prazo limite para pagamento;
  • Caso necessário, informações sobre taxas em casos de pagamentos atrasados.

Boleto bancário: vantagens X desvantagens

Vantagens:

  • Possibilidade de alteração de prazos ou valores do documento, sem necessidade de aprovação do banco.
  • Apenas uma taxa é cobrada: a quitação do boleto. Isto é, se o cliente optar não efetuar a compra, a empresa não precisará pagar pelo serviço.

Desvantagens:

  • Desistência de compra do cliente: o consumidor pode gerar o boleto mas optar por não finalizar o pagamento. Conforme a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, entre 30 e 50% dos boletos emitidos em lojas virtuais não têm pagamento efetuado pelo cliente;
  • A desistência acarreta em dois problemas: no caso do boleto registrado, o desperdício do custo da emissão do boleto e, em boletos sem registro, problemas de estoque, já que precisa de uma conciliação financeira rigorosa para saber ao certo se cada boleto emitido foi efetivamente pago na data combinada com o consumidor.
  • Boletos não registrados podem aumentar o número de fraudes na empresa, já que há a possibilidade de alteração de informações. Além disso, não há necessidade de registro no sistema do banco, o que dificulta a análise do documento. Em alguns casos, criminosos alteram o código de barras presente no boleto sem registro e também os dados do recebedor – fazendo a transferência da quantia para outra conta bancária.

A causa do fim do boleto sem registro

A decisão da FEBRABAN para criar a “Nova Plataforma de Cobrança” veio após registrar o elevado número de fraudes em boletos não registrados. Fora isso, o método de cobrança bancárias que é utilizado atualmente surgiu em 1990, com a implantação do código de barras. Portanto, o formato já é considerado ultrapassado e o sistema financeiro do Brasil percebeu que era necessária uma atualização.

A instituição já afirmou também que com o surgimento de novas tecnologias, novas mudanças também acontecerão. A Febraban afirma que o projeto futuro é que extinguir o boleto bancário impresso, substituindo pela digitalização de todos os pagamentos.

Walter Tadeu de Faria, o diretor-adjunto de Negócios e Operações da Febraban afirmou que “a Nova Plataforma de Cobrança trará benefícios para o consumidor e para a sociedade, como maior facilidade no pagamento de contas vencidas, além de evitar o envio de boletos não autorizados”.

 Como funciona o boleto registrado

O boleto registrado, descomplica o rastreamento de pagamentos, trazendo a redução no número de golpes. Isso se dá devido à obrigatoriedade de identificação do CPF/CNPJ do devedor – informações que são facultativas no boleto simples.

Além disso, será possível efetuar o pagamento do boleto em qualquer agência bancária, mesmo logo após o vencimento.

Ao emitir um boleto registrado, com todas as informações completas, um arquivo será gerado e este deve ser enviado para a instituição bancária. Sendo assim, os lojistas poderão administrar melhor o faturamento dos boletos emitidos.

É importante ressaltar que essa ferramenta facilitará a apuração da venda – como descobrir se o pagamento foi efetuado, por exemplo.  Contudo, a desvantagem é que o processo de registro do boleto traz custos operacionais, o que aumentará as taxas para a empresa.

O boleto registrado da Nova Plataforma

Considerado mais ágil e seguro, o novo método ganhou a obrigatoriedade de informações como o CPF ou CNPJ do emissor e do pagador, data de vencimento e valor do documento.

Ao obterem esses dados, facilitará a consulta automática, realizada na Plataforma de Cobrança que fará uma verificação das informações do cliente. A operação é validada se contiver dados compatíveis no boleto impresso. Caso contrário, o pagamento não será atualizado.

Essa nova função busca também a transparência no relacionamento com o usuário. Na Nova Plataforma, os boletos de proposta, expedidos sem autorização do destinatário, serão controlados e não permitirá o pagamento de boletos em duplicidade.

Data de início da Nova Plataforma de Cobranças

 Anunciado em 2015, o projeto de Nova Plataforma de Cobranças está, desde então, em fase de implementação tecnológica para que não tenha falhas no sistema. Ao que tudo indica, o sistema estará funcionando até o final de 2017.

Aqueles que emitem boletos com valor superior a R$ 50.000,00 foram obrigados a adequarem-se a nova plataforma em março deste ano, em seguida àqueles que emitem igual ou acima de R$ 2.000. A partir do dia 11 de novembro de 2017, segundo cronograma estabelecido pela Febraban, todos os boletos, de qualquer valor, serão afetados.

Fonte:  E-commerce News

 

Share